Parágrafo Novo
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É muito comum que mães relatem dor no punho ou no polegar nas semanas ou meses após o nascimento do bebê. A princípio, muitas acreditam que seja apenas cansaço ou uma consequência "normal" da maternidade. No entanto, essa dor pode indicar uma condição chamada tenossinovite de De Quervain, uma das doenças mais frequentes do punho no período pós-parto.
A boa notícia é que, na maioria dos casos, o tratamento é eficaz quando iniciado precocemente.
Neste artigo, explico por que essa dor acontece, quais são os sintomas mais comuns, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento.
É normal sentir dor no punho após o parto?
A dor é frequente, mas não deve ser considerada normal.
Durante o pós-parto, o corpo passa por diversas adaptações. Ao mesmo tempo, a rotina muda completamente: o bebê precisa ser colocado no colo inúmeras vezes ao dia, amamentado, trocado, carregado para dormir e acomodado no berço.
Cada um desses movimentos exige esforço das mãos, punhos e polegares.
Isoladamente, eles parecem simples. Porém, quando repetidos centenas de vezes todos os dias, podem sobrecarregar tendões e articulações.
Qual é a causa mais comum?
A principal causa de dor na região do polegar após o parto é a tenossinovite de De Quervain.
Essa condição corresponde à inflamação da bainha que envolve dois tendões responsáveis pelos movimentos do polegar:
- abdutor longo do polegar;
- extensor curto do polegar.
Quando esses tendões deslizam repetidamente dentro de um espaço estreito, ocorre atrito, inflamação e dor.
Embora a doença possa acometer qualquer pessoa, ela é especialmente frequente em mães e cuidadores de recém-nascidos.
Por que isso acontece no pós-parto?
Diversos fatores contribuem para o aparecimento da doença.
1. Movimentos repetitivos
Ao longo do dia, pais e mães realizam inúmeras vezes movimentos como:
- levantar o bebê do berço;
- segurar o bebê durante a amamentação;
- trocar fraldas;
- colocar no carrinho;
- retirar do bebê conforto;
- carregar o bebê no colo.
Esses movimentos utilizam constantemente o polegar e o punho.
2. Aumento progressivo do peso do bebê
O bebê cresce rapidamente.
Em poucos meses, seu peso praticamente dobra.
Consequentemente, o esforço exigido dos tendões também aumenta.
3. Posturas mantidas por muito tempo
Durante a amamentação ou ao embalar o bebê para dormir, muitas mães permanecem vários minutos com o punho dobrado e o polegar sustentando parte do peso.
Essa posição favorece a sobrecarga dos tendões.
4. Alterações hormonais
As mudanças hormonais da gestação e do puerpério também parecem contribuir para alterações nos tecidos ao redor dos tendões, tornando algumas mulheres mais suscetíveis ao problema.
Quais são os sintomas?
Os sintomas costumam surgir gradualmente.
Os mais frequentes são:
- dor na base do polegar;
- dor na lateral do punho;
- dificuldade para abrir potes;
- dor para torcer roupas;
- desconforto ao levantar o bebê;
- sensação de fraqueza para segurar objetos;
- aumento da dor ao movimentar o polegar.
Em alguns casos, pode haver um pequeno inchaço na região.
Como saber se é tenossinovite de De Quervain?
O diagnóstico é feito principalmente durante a consulta médica.
O especialista avalia:
- localização da dor;
- movimentos que desencadeiam os sintomas;
- força da mão;
- mobilidade do polegar;
- testes específicos realizados durante o exame físico.
Na maioria dos casos, exames de imagem não são necessários para confirmar o diagnóstico, sendo utilizados apenas em situações específicas ou quando há suspeita de outras doenças.
Existem outras causas de dor na mão após o parto?
Sim.
Nem toda dor no punho é causada pela tenossinovite de De Quervain.
Outras condições podem provocar sintomas semelhantes, como:
Sintoma predominantePossível causaDor na base do polegarTenossinovite de De QuervainDormência no polegar, indicador e dedo médioSíndrome do túnel do carpoDor na parte externa do cotoveloEpicondilite lateralDor no ombro ao levantar o braçoTendinopatia do manguito rotadorDor no pescoço associada à posturaSobrecarga muscular cervical
Por isso, uma avaliação médica é importante para identificar corretamente a origem da dor.
Como é o tratamento?
O tratamento depende da intensidade dos sintomas e do tempo de evolução.
Na maioria dos pacientes, não é necessária cirurgia.
As opções incluem:
- adaptação das atividades do dia a dia;
- mudanças na forma de pegar o bebê;
- uso de órtese para imobilizar o polegar quando indicado;
- medicamentos prescritos pelo médico;
- fisioterapia;
- exercícios específicos após melhora da dor.
Em alguns casos, a infiltração com corticoide pode proporcionar excelente alívio dos sintomas.
A cirurgia costuma ser reservada apenas para pacientes que não melhoram com tratamento conservador.
Como prevenir essa dor?
Algumas medidas simples ajudam a reduzir a sobrecarga.
Procure:
- alternar o braço utilizado para carregar o bebê;
- manter o bebê próximo ao corpo ao levantá-lo;
- evitar sustentar o peso apenas com o polegar;
- utilizar almofadas durante a amamentação;
- apoiar os antebraços sempre que possível;
- fortalecer a musculatura dos membros superiores após liberação médica.
Pequenas mudanças na rotina podem fazer grande diferença.
Quando devo procurar um especialista?
Procure avaliação médica se:
- a dor persistir por mais de alguns dias;
- houver dificuldade para cuidar do bebê por causa da dor;
- surgir perda de força;
- houver limitação importante dos movimentos;
- os sintomas piorarem progressivamente.
Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as chances de melhora com tratamento conservador.
Perguntas frequentes
A amamentação causa tenossinovite?
Não diretamente.
O problema geralmente está relacionado à postura mantida durante a amamentação e aos movimentos repetitivos realizados ao longo do dia.
Posso continuar pegando meu bebê no colo?
Sim.
Na maioria dos casos, basta adaptar a forma de carregar o bebê para reduzir a sobrecarga sobre o polegar e o punho.
Essa doença pode aparecer nos pais?
Sim.
Pais, avós e outros cuidadores também podem desenvolver a doença, especialmente quando passam muito tempo carregando o bebê.
A dor pode desaparecer sozinha?
Alguns casos leves podem melhorar.
Entretanto, quando a dor persiste ou interfere nas atividades do dia a dia, é importante procurar avaliação médica para evitar que o problema se torne crônico.
Resumo
A dor no punho após o parto é uma queixa frequente e, na maioria das vezes, está relacionada à sobrecarga provocada pelos cuidados com o bebê. A tenossinovite de De Quervain é a principal causa dessa dor e costuma provocar desconforto na base do polegar e na lateral do punho. O diagnóstico é feito por meio da avaliação clínica, e o tratamento geralmente envolve adaptações na rotina, uso de órteses, fisioterapia e outras medidas conservadoras. Procurar um especialista precocemente aumenta as chances de recuperação rápida e permite que você continue cuidando do seu bebê com mais conforto e segurança.
Sobre a autora
Dra. Renata Pontes é médica ortopedista e cirurgiã da mão, especialista no diagnóstico e tratamento de doenças da mão, punho e membro superior. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), concluiu residência médica em Ortopedia e Traumatologia na FHEMIG- Minas Gerais e especialização em Cirurgia da Mão pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP). Atua em São Luís (MA), oferecendo tratamento individualizado para pacientes com lesões traumáticas, doenças dos tendões, nervos e articulações da mão e do punho.













